Fundos de investimento — CVM 175, tributação (Lei 14.754/2023) e come-cotas
Guia educativo sobre como fundos funcionam, quais documentos importam e como a tributação pode operar (incluindo come-cotas), com um simulador didático para visualizar alíquota e efeito da antecipação.
1) O que é um fundo de investimento
Um fundo de investimento é uma forma de investimento coletivo: vários cotistas aplicam recursos, o patrimônio é administrado e investido conforme uma política de investimento, e o cotista participa dos resultados por meio de cotas. No Brasil, as regras de constituição, funcionamento e divulgação de informações são tratadas, de forma estruturante, pela Resolução CVM nº 175 (e seus anexos), com alterações posteriores (por exemplo, a CVM 181).
2) Tipos de fundos (na prática)
Na linguagem do dia a dia, os fundos costumam ser agrupados pelo tipo de estratégia e pelo principal risco. A CVM 175 organiza a estrutura do fundo (classes/subclasses e regras), e o regulamento é o documento que amarra a política do fundo. Abaixo estão os tipos mais comuns em termos simples.
3) Quem faz o quê: administrador, gestor, custodiante e cotista
A CVM 175 organiza a prestação de serviços ao fundo e reforça obrigações de governança e divulgação. Na prática, os papéis mais comuns são:
4) Documentos essenciais (o que olhar antes de investir)
Para tomar decisões melhores, foque em documentos e informações formais do fundo. Os itens abaixo ajudam a entender estratégia, risco, custos e regras de entrada/saída.
- Regulamento: regras do fundo (política, taxas, cotização, resgates, responsabilidades e limites).
- Lâmina/Informações essenciais (quando aplicável): resumo objetivo com pontos-chave.
- Informes e demonstrações: dados periódicos e transparência do patrimônio e eventos relevantes.
- Taxas: administração, gestão, performance e despesas (e como são calculadas).
- Resgate e cotização: prazos (D+), carências, janela de movimentação e regras de liquidez.
5) Tributação: o que a Lei 14.754/2023 mudou
A Lei nº 14.754/2023 trouxe regras específicas para a tributação de fundos no Brasil, incluindo incidência periódica em determinados casos e regras de transição para fundos que antes não tinham tributação periódica. Em paralelo, as regras tradicionais de IR sobre ganhos em fundos (como a lógica de prazos e alíquotas) continuam sendo um ponto central para o cotista.
6) Tabela de alíquotas do IRPF (curto x longo prazo)
A tabela abaixo resume, de forma didática, como a alíquota pode variar conforme o prazo. O ponto principal é que há marcos de tempo (em dias) em que a alíquota muda, até chegar em um piso (ou seja, “até onde vai”).
| Prazo do investimento | Alíquota |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
| Prazo do investimento | Alíquota |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| Acima de 180 dias | 20% |
7) Come-cotas (como age no dia a dia)
O come-cotas é um mecanismo de antecipação do IR aplicável a determinados fundos: periodicamente, a instituição calcula o imposto sobre o rendimento acumulado e reduz a quantidade de cotas do investidor (por isso o apelido). Em muitos casos, essa antecipação é associada a eventos recorrentes (tradicionalmente maio e novembro), mas a regra exata depende da classificação do fundo e da norma aplicável. Em geral, isso afeta a dinâmica de juros compostos, pois parte do ganho é tributada antes do resgate.
8) Simulador (IRPF + come-cotas)
Simulação simples para entender: (a) alíquota final por prazo (veja a tabela acima) e (b) como o come-cotas pode antecipar imposto. O ganho e o IR são estimados a partir do saldo final do cenário (valor inicial + aportes + rentabilidade). Os valores são aproximados e servem para estudo.
| Mês | Saldo antes | Aporte | Come-cotas | Saldo depois |
|---|---|---|---|---|
| Clique em “Calcular” para gerar a simulação. | ||||