Tesouro Direto (Selic, Prefixado, IPCA+, Renda+ e Educa+)
Guia prático para entender como funciona, quais são os produtos e o que você precisa saber sobre custos, impostos e marcação a mercado.
1) O que é Tesouro Direto
O Tesouro Direto é o programa que permite que pessoas físicas comprem títulos públicos federais pela internet. Na prática, você empresta dinheiro ao governo e recebe de volta conforme as regras do título (Selic, prefixado, IPCA+ etc.).
2) Base legal (Lei 10.179/2001 e Decreto 12.814/2026)
As regras gerais sobre os títulos públicos federais do Tesouro Nacional estão na Lei nº 10.179/2001. O Decreto nº 12.814/2026 estabelece as características de títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal, citando expressamente a Lei 10.179.
- Lei nº 10.179/2001: consolida a legislação sobre títulos públicos federais do Tesouro Nacional.
- Decreto nº 12.814/2026: detalha características (ex.: LTN, LFT e séries de NTN) como modalidade, valor nominal, rendimento e resgate.
3) Como funciona na prática
| Cenário | Taxa do mercado | Preço aproximado hoje* | Se você vender agora |
|---|---|---|---|
| Compra (dia 0) | 12% a.a. | R$ 1.000 | — |
| Depois (juros subiram) | 14% a.a. | ≈ R$ 950 | Você realiza ~-5% |
| Depois (juros caíram) | 10% a.a. | ≈ R$ 1.060 | Você pode realizar ~+6% |
4) Todos os produtos do Tesouro Direto (o que cada um faz)
A lista oficial de produtos inclui: Tesouro Selic, Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA+, Renda+ e Educa+.
| Produto | Rentabilidade | Melhor para… | Principal atenção |
|---|---|---|---|
| Tesouro Selic | Varia com a Selic (LFT) | Reserva de emergência / caixa | Menor volatilidade, mas preço ainda pode oscilar um pouco |
| Tesouro Prefixado | Taxa fixa no vencimento (LTN/NTN-F) | Meta com data definida | Oscila mais com taxas de juros (marcação a mercado) |
| Tesouro IPCA+ | Inflação (IPCA) + taxa real (NTN-B) | Proteção contra inflação no longo prazo | Volatilidade maior no curto prazo; segure até o vencimento |
| Renda+ | IPCA+ com fase de renda mensal (NTN-B1) | Aposentadoria / renda futura | Planejar o período de recebimento e evitar resgates desnecessários |
| Educa+ | IPCA+ com fase de renda mensal (NTN-B1) | Faculdade/estudos (renda por 5 anos) | Escolher ano de início e acompanhar custos/tributação |
- Regra: Valor futuro ≈ Valor inicial × (1 + taxa)anos
- Ex.: R$ 1.000 a 12% a.a. por 3 anos → 1.000 × 1,12³ ≈ R$ 1.405 (bruto)
- Regra: Crescimento ≈ (1 + IPCA)anos × (1 + taxa real)anos
- Ex.: IPCA 4% e real 6% por 3 anos → (1,04³ × 1,06³) ≈ 1,33 (≈ 33% bruto)
- Regra: rende próximo ao acumulado da Selic (no dia a dia o preço varia pouco).
- Dica: excelente para caixa, mas não “trava” taxa nem dá proteção real explícita como IPCA+.
- Regra: acumula como IPCA+ até a data de início, depois paga parcelas mensais.
- Dica: melhor quando o objetivo é renda programada (aposentadoria/educação).
- Quando usar: reserva de emergência, curto prazo, “estacionar” dinheiro.
- Quando NÃO usar: para buscar taxa travada longa (meta de longo prazo com previsibilidade de taxa), ou quando você quer proteção real explícita contra inflação no longo prazo.
- Quando usar: objetivo com data certa (ex.: 2–5 anos) e você pretende levar ao vencimento.
- Quando NÃO usar: se você pode precisar vender antes (volatilidade pode ser alta) ou se quer proteção contra inflação no longo prazo.
- Quando usar: objetivos longos (5+ anos), aposentadoria, proteção real contra inflação.
- Quando NÃO usar: para curto prazo ou se você pode vender antes — a marcação a mercado pode balançar muito.
- Quando usar: construir renda mensal futura com data de início definida.
- Quando NÃO usar: se você quer flexibilidade total (pode precisar vender antes) ou se não quer compromisso com período de recebimento.
- Quando usar: planejar faculdade/curso com início programado (ex.: 2029–2033).
- Quando NÃO usar: se você não tem data/objetivo claro ou se pode precisar do dinheiro antes.
5) Custos: taxa da B3 e taxa do agente
Em geral, existem dois tipos de cobrança: (1) a taxa de custódia da B3 e (2) a possível taxa do seu agente (muitas corretoras são “taxa zero”).
- Taxa de custódia (B3): 0,20% ao ano, provisionada diariamente, com cobrança nos eventos (venda, vencimento ou cupons). Para o Tesouro Selic, há isenção até R$ 10 mil por CPF (acima disso, cobra só o excedente).
- Renda+ e Educa+: têm regras de custódia específicas, incluindo possibilidade de isenção ao manter até o vencimento e faixas de isenção/tributação em recebimentos.
6) Impostos: IR regressivo e IOF (30 dias)
A tributação do Tesouro Direto segue a regra geral de renda fixa:
- IOF: só incide se você resgatar em menos de 30 dias (tabela regressiva, sobre o rendimento).
- IR: alíquota regressiva conforme o prazo (contado a partir da liquidação):
| Prazo | Alíquota (IR) |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| 181 a 360 dias | 20,0% |
| 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15,0% |
7) Marcação a mercado (por que o preço muda — e quando dá prejuízo)
No Tesouro, o papel tem um preço hoje. Esse preço é calculado “trazendo para o presente” o que ele vai pagar no futuro. Por isso, quando a taxa de juros do mercado muda, o preço do título muda também.
- Selic (LFT): normalmente oscila pouco e tende a acompanhar o carrego (mais “estável”).
- Prefixado: sensível à expectativa de juros futuros; em alta de juros, tende a cair mais.
- IPCA+: sensível à taxa real do mercado; pode oscilar bastante em prazos longos.
- Longos vencimentos: maior impacto (volatilidade). Curto/médio: menor impacto.
8) Pegadinhas comuns (e como evitar)
- Qual é seu prazo (data do objetivo)?
- Você pode manter até o vencimento?
- Quer previsibilidade (Prefixado) ou proteção real (IPCA+)?
- Está ciente de custódia e IR/IOF?
9) Mini simulador (estimativa): quanto pode virar no prazo?
Simulador educativo (estimativa). Não considera preço de mercado, spread do agente, impostos detalhados por evento nem condições específicas de cada série.