Títulos públicos

Tesouro Direto (Selic, Prefixado, IPCA+, Renda+ e Educa+)

Guia prático para entender como funciona, quais são os produtos e o que você precisa saber sobre custos, impostos e marcação a mercado.

Baixo risco de crédito Liquidez diária* Selic / Prefixado / IPCA+ IR regressivo + IOF (30 dias) Taxa B3: 0,20% a.a.
Funciona melhor em Chrome/Edge/Android.
Programa do Tesouro Nacional Compra via corretora/banco Preço varia (marcação)
* Liquidez diária significa que o Tesouro costuma recomprar títulos em dias úteis — mas o preço pode subir ou cair antes do vencimento.

1) O que é Tesouro Direto

O Tesouro Direto é o programa que permite que pessoas físicas comprem títulos públicos federais pela internet. Na prática, você empresta dinheiro ao governo e recebe de volta conforme as regras do título (Selic, prefixado, IPCA+ etc.).

Por trás do “nome comercial”
Os produtos do Tesouro Direto correspondem a títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal (como LTN, LFT e séries de NTN), com características definidas em norma.

As regras gerais sobre os títulos públicos federais do Tesouro Nacional estão na Lei nº 10.179/2001. O Decreto nº 12.814/2026 estabelece as características de títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal, citando expressamente a Lei 10.179.

  • Lei nº 10.179/2001: consolida a legislação sobre títulos públicos federais do Tesouro Nacional.
  • Decreto nº 12.814/2026: detalha características (ex.: LTN, LFT e séries de NTN) como modalidade, valor nominal, rendimento e resgate.
Importante: o Tesouro Direto é uma “porta de acesso” para pessoas físicas — mas a base jurídica é a da dívida pública federal.

3) Como funciona na prática

Exemplo numérico (educativo): “antes/depois” do preço
Imagine um Tesouro Prefixado com vencimento em 3 anos. Você comprou quando a taxa do mercado estava em 12% a.a.. Um tempo depois, a taxa do mercado para o mesmo prazo sobe para 14% a.a.. Para o título “render 14%” para quem comprar hoje, o preço precisa cair.
Cenário Taxa do mercado Preço aproximado hoje* Se você vender agora
Compra (dia 0) 12% a.a. R$ 1.000
Depois (juros subiram) 14% a.a. ≈ R$ 950 Você realiza ~-5%
Depois (juros caíram) 10% a.a. ≈ R$ 1.060 Você pode realizar ~+6%
* Números ilustrativos (para entender a lógica). Na prática, o preço depende do tempo restante, da taxa exata do dia e das regras do título.
1) Você compra via agente (corretora/banco)
cadastro
Você escolhe o título (Selic/Prefixado/IPCA+/Renda+/Educa+) e faz a aplicação pelo seu agente habilitado.
2) O título fica em custódia
B3/Selic
A posição é registrada em sistema de custódia/liquidação e você acompanha tudo pelo extrato.
3) Preço varia todo dia (marcação a mercado)
atenção
Se vender antes do vencimento, o valor pode ser maior ou menor que o investido (dependendo das taxas do dia).
4) No vencimento, vale a regra do título
objetivo
Mantendo até o vencimento, você recebe conforme o indexador/contrato do papel (Selic, taxa prefixada, IPCA+ real etc.).

4) Todos os produtos do Tesouro Direto (o que cada um faz)

A lista oficial de produtos inclui: Tesouro Selic, Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA+, Renda+ e Educa+.

Produto Rentabilidade Melhor para… Principal atenção
Tesouro Selic Varia com a Selic (LFT) Reserva de emergência / caixa Menor volatilidade, mas preço ainda pode oscilar um pouco
Tesouro Prefixado Taxa fixa no vencimento (LTN/NTN-F) Meta com data definida Oscila mais com taxas de juros (marcação a mercado)
Tesouro IPCA+ Inflação (IPCA) + taxa real (NTN-B) Proteção contra inflação no longo prazo Volatilidade maior no curto prazo; segure até o vencimento
Renda+ IPCA+ com fase de renda mensal (NTN-B1) Aposentadoria / renda futura Planejar o período de recebimento e evitar resgates desnecessários
Educa+ IPCA+ com fase de renda mensal (NTN-B1) Faculdade/estudos (renda por 5 anos) Escolher ano de início e acompanhar custos/tributação
Como cada título rende (em português claro)
No Tesouro, o “quanto rende” depende do tipo do papel. Abaixo estão regras simples (educativas) para você entender o cálculo.
Prefixado
Você compra com uma taxa anual (ex.: 12% a.a.). Se levar até o vencimento, seu dinheiro cresce nessa taxa.
  • Regra: Valor futuro ≈ Valor inicial × (1 + taxa)anos
  • Ex.: R$ 1.000 a 12% a.a. por 3 anos → 1.000 × 1,12³ ≈ R$ 1.405 (bruto)
IPCA+
Você recebe inflação (IPCA) + taxa real (ex.: IPCA + 6% a.a.). Protege poder de compra no longo prazo.
  • Regra: Crescimento ≈ (1 + IPCA)anos × (1 + taxa real)anos
  • Ex.: IPCA 4% e real 6% por 3 anos → (1,04³ × 1,06³) ≈ 1,33 (≈ 33% bruto)
Selic
Acompanha a Selic do período. Em geral é o menos volátil para curto prazo.
  • Regra: rende próximo ao acumulado da Selic (no dia a dia o preço varia pouco).
  • Dica: excelente para caixa, mas não “trava” taxa nem dá proteção real explícita como IPCA+.
Renda+ / Educa+
São IPCA+ com uma fase de renda mensal no futuro (planejamento de renda).
  • Regra: acumula como IPCA+ até a data de início, depois paga parcelas mensais.
  • Dica: melhor quando o objetivo é renda programada (aposentadoria/educação).
Obs.: valores e fórmulas acima são aproximações educativas. O que você vê na tela do Tesouro/corretora já reflete o preço do dia (marcação a mercado).
Tesouro Selic (LFT)
caixa
Acompanha a Selic. Geralmente é o mais estável para quem quer liquidez.
  • Quando usar: reserva de emergência, curto prazo, “estacionar” dinheiro.
  • Quando NÃO usar: para buscar taxa travada longa (meta de longo prazo com previsibilidade de taxa), ou quando você quer proteção real explícita contra inflação no longo prazo.
Pegadinha: ainda pode oscilar um pouco se vender no meio do caminho, mas tende a ser o menos volátil.
Tesouro Prefixado (LTN / NTN-F)
taxa fixa
Você “trava” uma taxa. Bom quando você tem prazo definido e quer previsibilidade.
  • Quando usar: objetivo com data certa (ex.: 2–5 anos) e você pretende levar ao vencimento.
  • Quando NÃO usar: se você pode precisar vender antes (volatilidade pode ser alta) ou se quer proteção contra inflação no longo prazo.
Pegadinha: se os juros sobem, o preço tende a cair antes do vencimento.
Tesouro IPCA+ (NTN-B)
inflação
IPCA + taxa real. Costuma ser o “padrão ouro” para longo prazo com proteção do poder de compra.
  • Quando usar: objetivos longos (5+ anos), aposentadoria, proteção real contra inflação.
  • Quando NÃO usar: para curto prazo ou se você pode vender antes — a marcação a mercado pode balançar muito.
Pegadinha: em alta de juros, pode aparecer “prejuízo” temporário no extrato.
Tesouro Renda+ (NTN-B1)
renda futura
Planejado para transformar patrimônio em renda mensal por um período futuro (aposentadoria).
  • Quando usar: construir renda mensal futura com data de início definida.
  • Quando NÃO usar: se você quer flexibilidade total (pode precisar vender antes) ou se não quer compromisso com período de recebimento.
Pegadinha: o ideal é planejar o ano de início e evitar resgates fora do plano.
Tesouro Educa+ (NTN-B1)
educação
Parecido com o Renda+, mas pensado para custear educação: renda mensal por 5 anos no período escolhido.
  • Quando usar: planejar faculdade/curso com início programado (ex.: 2029–2033).
  • Quando NÃO usar: se você não tem data/objetivo claro ou se pode precisar do dinheiro antes.
Pegadinha: alinhe o ano de início com o momento real do gasto.
Atalho mental
Selic = estabilidade e liquidez. Prefixado = aposta/planejamento na taxa. IPCA+ = proteção real no longo prazo. Renda+ / Educa+ = títulos pensados para gerar renda mensal em um período futuro.

5) Custos: taxa da B3 e taxa do agente

Em geral, existem dois tipos de cobrança: (1) a taxa de custódia da B3 e (2) a possível taxa do seu agente (muitas corretoras são “taxa zero”).

  • Taxa de custódia (B3): 0,20% ao ano, provisionada diariamente, com cobrança nos eventos (venda, vencimento ou cupons). Para o Tesouro Selic, há isenção até R$ 10 mil por CPF (acima disso, cobra só o excedente).
  • Renda+ e Educa+: têm regras de custódia específicas, incluindo possibilidade de isenção ao manter até o vencimento e faixas de isenção/tributação em recebimentos.
Dica: custo baixo não elimina a necessidade de prazo. Em títulos mais longos, a marcação a mercado pesa mais do que a taxa de custódia no curto prazo.

6) Impostos: IR regressivo e IOF (30 dias)

A tributação do Tesouro Direto segue a regra geral de renda fixa:

  • IOF: só incide se você resgatar em menos de 30 dias (tabela regressiva, sobre o rendimento).
  • IR: alíquota regressiva conforme o prazo (contado a partir da liquidação):
Prazo Alíquota (IR)
Até 180 dias22,5%
181 a 360 dias20,0%
361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15,0%
Importante
O IR incide sobre o rendimento (o que você ganhou), e pode ocorrer em venda antecipada, em cupons (quando houver) e no vencimento.

7) Marcação a mercado (por que o preço muda — e quando dá prejuízo)

No Tesouro, o papel tem um preço hoje. Esse preço é calculado “trazendo para o presente” o que ele vai pagar no futuro. Por isso, quando a taxa de juros do mercado muda, o preço do título muda também.

Regra prática
Juros sobem → preços de Prefixado/IPCA+ tendem a cair. Juros caem → preços tendem a subir. O efeito é maior quanto mais longo for o vencimento.
Exemplo simples (Prefixado)
visual
Você comprou Prefixado a 12% a.a.. Se depois o mercado passar a exigir 14% a.a. para um título parecido, o seu papel fica “menos atraente” e o preço cai para oferecer o novo retorno.
Resultado: se você vender antes do vencimento, pode realizar prejuízo — mesmo sendo renda fixa.
Exemplo simples (IPCA+)
visual
No IPCA+, o que mais mexe no preço é a taxa real (ex.: IPCA+ 6%). Se a taxa real do mercado sobe (ex.: vai para IPCA+ 7%), o preço do seu título tende a cair.
Em compensação, se a taxa real cair (IPCA+ 5%), o preço tende a subir e pode gerar ganho na venda antecipada.
A tendência quando juros sobem/caem
  • Selic (LFT): normalmente oscila pouco e tende a acompanhar o carrego (mais “estável”).
  • Prefixado: sensível à expectativa de juros futuros; em alta de juros, tende a cair mais.
  • IPCA+: sensível à taxa real do mercado; pode oscilar bastante em prazos longos.
  • Longos vencimentos: maior impacto (volatilidade). Curto/médio: menor impacto.
Regra de ouro: se você pode precisar do dinheiro antes do vencimento, prefira títulos mais estáveis (muitas vezes Selic) ou encurte o prazo. “Liquidez diária” existe, mas não é sinônimo de preço garantido.

8) Pegadinhas comuns (e como evitar)

1) Comprar longo prazo para objetivo curto
IPCA+ e Prefixado longos podem oscilar bastante no curto prazo. Se o objetivo é “caixa”, Selic costuma fazer mais sentido.
2) Vender no susto na pior hora
Oscilação é normal. Em Prefixado/IPCA+, vender antes pode realizar prejuízo. Antes de vender, confirme se seu objetivo mudou ou se é só volatilidade de taxas.
3) Ignorar custos e IR em resgates curtos
Resgates antes de 30 dias têm IOF e a alíquota do IR é maior em prazos curtos.
4) Confundir “IPCA+” com “ganho garantido”
No vencimento, sim. Mas antes do vencimento o preço pode cair com altas de juros.
Checklist rápido antes de comprar
  • Qual é seu prazo (data do objetivo)?
  • Você pode manter até o vencimento?
  • Quer previsibilidade (Prefixado) ou proteção real (IPCA+)?
  • Está ciente de custódia e IR/IOF?

9) Mini simulador (estimativa): quanto pode virar no prazo?

Simulador educativo (estimativa). Não considera preço de mercado, spread do agente, impostos detalhados por evento nem condições específicas de cada série.

Simulador simples
Use para ter uma noção de ordem de grandeza.
educacional
Selic/Prefixado: taxa anual. IPCA+: taxa real.