VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre)
Quando faz sentido, como funciona a tributação (progressivo/regressivo) e um simulador rápido para estimar o IR no resgate.
1) O que é VGBL
O VGBL é um seguro de pessoas com cobertura por sobrevivência (muitas vezes chamado de “previdência” no dia a dia). Você faz aportes (prêmios), o dinheiro é investido conforme a política do plano e, no futuro, você pode receber por resgate ou em forma de benefício (renda), conforme as regras do produto.
2) Quando o VGBL tende a fazer sentido
3) Tributação: o que muda no VGBL
Em linhas gerais, no VGBL a tributação tende a incidir sobre os rendimentos (ganho), e não sobre o total aportado. Ainda assim, você pode estar no regime progressivo ou regressivo, a depender da opção e das regras.
| Prazo de acumulação | Alíquota do IR |
|---|---|
| Até 2 anos | 35% |
| Acima de 2 até 4 anos | 30% |
| Acima de 4 até 6 anos | 25% |
| Acima de 6 até 8 anos | 20% |
| Acima de 8 até 10 anos | 15% |
| Acima de 10 anos | 10% |
4) Quando (e como) o regime tributário é definido
Ao contratar o VGBL, você escolhe o regime progressivo ou regressivo. Essa decisão é importante porque muda como o IR é calculado no futuro. Em geral, o regressivo é mais usado por quem pensa em longo prazo, e o progressivo por quem pode se beneficiar do ajuste anual conforme renda.
5) Carência e portabilidade (o que pode travar)
VGBL costuma permitir portabilidade entre planos/fundos (sem “resgatar” em dinheiro), o que é valioso para reduzir taxas ou trocar estratégia. Porém, é comum existir carência — e é aqui que muita gente se frustra.
- Existe carência de portabilidade (ex.: 60 dias)? E carência de resgate?
- Há taxa de saída ou carregamento? (se houver, pode matar a vantagem de trocar)
- Quais são as taxas totais do destino (admin + performance + custos do fundo)?
- O fundo destino combina com seu perfil e prazo?
6) IOF em aportes elevados e mudanças recentes
Algumas mudanças normativas recentes impactaram a conversa sobre VGBL, especialmente em aportes elevados. Como isso pode mudar com o tempo, trate esta seção como um mapa para você verificar o que está vigente.
Em junho/2025, o Decreto nº 12.499/2025 alterou o regulamento do IOF (Decreto nº 6.306/2007) e passou a prever incidência de IOF sobre parte do valor de aportes/prêmios destinados ao custeio de seguro de vida com cobertura por sobrevivência quando superados determinados limites. Em seguida, esse decreto foi sustado pelo Decreto Legislativo nº 176/2025. Use os itens abaixo como histórico e sempre confira o status vigente.
- Até 31/12/2025: IOF de 5% sobre o excedente a R$ 300.000,00 (na mesma seguradora entre 11/06/2025 e 31/12/2025).
- A partir de 01/01/2026: IOF de 5% sobre o excedente a R$ 600.000,00 no ano (somando aportes do segurado em todos os planos, inclusive de seguradoras distintas).
7) Simulador rápido: IR no resgate (VGBL)
Estimativa simples: no VGBL, a base do IR aqui é o rendimento (ganho).
8) Simulador 2 (premium): VGBL vs investimento “neutro”
Este mini-simulador compara, de forma bem simplificada, quanto a taxa total pode “comer” do seu resultado no longo prazo. A ideia é comparar um VGBL com um investimento “neutro” (ex.: Tesouro/ETF RF) assumindo o mesmo retorno bruto.
| Bruto estimado | — |
| Ganho | — |
| IR no ganho | — |
| Líquido | — |
| Bruto estimado | — |
| Ganho | — |
| IR no ganho | — |
| Líquido | — |
9) Checklist prático antes de contratar
- Taxas: compare administração e (se existir) carregamento/saída.
- Política de investimento: entenda risco, ativos e histórico do fundo.
- Portabilidade: veja regras e carências (isso muda muito o custo de trocar depois).
- Beneficiários: confirme como funciona a indicação/alteração e a documentação necessária.
- Tributação: escolha entre progressivo/regressivo conforme prazo e objetivo.
10) Planejamento sucessório: beneficiários, partilha e ITCMD
O VGBL é frequentemente citado em planejamento sucessório porque, em regra, o pagamento pode ser direcionado a beneficiários indicados no contrato. Isso pode dar agilidade no recebimento, mas existem pontos jurídicos importantes sobre partilha e tributação estadual (ITCMD).
- Indicação de beneficiário ajuda, mas não blinda casos de fraude/simulação ou tentativa de burlar direitos de terceiros.
- Regime de bens e meação podem influenciar a discussão sobre partilha, dependendo do caso.
- A incidência de ITCMD é tema sensível e varia por Estado e entendimento vigente.